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Quinta-feira, Agosto 28, 2008 (1:36 AM)


INTEGRIDADE

É como se a nossa vida fosse um imenso quebra-cabeça de 500.000 peças sem uma imagem nítida da mesma para montarmos. E, ao invés de termos a paciência de ir procurando seguir uma seqüência lógica a partir dos pequenos quebra-cabeças do dia-a-dia ou das referências maiores que nos foram dadas, fossemos encaixando peça com peça aleatoriamente, sem sequer olhar para o tabuleiro e ver se os fragmentos de imagem se complementam. No final o que temos é uma grande figura amorfa, sem sentido e danificada. E não é muito difícil, veja você, é tudo uma questão de paciência e percepção.

E é assim com a nossa vida amorosa, creio. As pessoas vão se agarrando umas às outras por puro prazer temporário - e insatisfatório, diga-se de passagem. Como se cada momento partido da vida fosse uma unidade em si, tivesse um sentido próprio separado do resto (E não tem. Não é). Como se vivêssemos fragmentos de vida. Sem seqüência lógica ou conseqüência qualquer. No final não nos tornamos uma pessoa completa, um ser em si. Mas fragmentos de. Entenda-se: A liberdade sem responsabilidade é autodestrutiva. E não há doença, não há suicídio, parricídio, violência, absurdo qualquer no mundo que pareça fazer a humanidade acordar...

Afinal, o que será que tornam tão populares a depressão (você já se sentiu vazio?), a AIDS (já teve medo? fez o exame?), o suicídio (conhece alguém que?), ou mesmo o índice de divórcios nas sociedades hoje em dia? É bom parar e refletir. Enquanto há vida, há tempo.

Pois a dificuldade maior, segundo me consta, é pensar por si. andar sobre a maré. Muito difícil você buscar um caminho que difere do das pessoas a sua volta, do que lhe empurram a caixinha mágica da TV e do computador. Muito difícil se manter. Se você não tiver um norte, uma base muito segura, ou uma personalidade bem definida, a tendência é que você se misture. Que você seja sugado. Começa com as pessoas de quem você gosta... E aí você vai se deixando levar. É cultural, veja bem. Aos pouquinhos, um detalhe aqui, outro ali. Não há sequer como definir quando se torna normal. Uma vida aos pedaços. Aos frangalhos. Multifacetada. Vida Líquida, como diria Bauman. As lacunas se espalham e você passa a se sentir vazio.

Mas acredite quando eu digo (e não fui eu quem disse primeiro): Só os radicais que souberem nadar contra serão felizes. E inteiros (Leia-se íntegros).









C l e a n