dialogue!


















Quarta-feira, Março 30, 2005 (2:23 AM)


intertextualidade:

navegar é preciso.
[...]





Domingo, Março 20, 2005 (2:31 AM)


eu dizia a ela que não era bem assim, que no meio da lacuna do silêncio que vai corroendo os pormenores dos nossos castelos mal-resolvidos não fica um vácuo inefável, inflexível e inexpressivo, o que fica no vazio do silêncio é um espaço a ser preenchido, é algo que faltava, algo que a gente perdeu no meio do caminho quando fomos modelando essa nossa história, esse nosso ser fixo, esse nosso passado corrente: é justamente o entusiasmo pelo começo, a excitação pelo novo que retorna, como um filme que você já viu e não lembra direito, ou como um quebra-cabeça que você desmonta só pelo prazer de remontar. O silêncio do tempo que passa vai apagando essa rigidez de expectativas nulas que nos sufocam, essa limitação a detalhes que nem existem mais, ao que passou e a gente já não sente que já era. vai transformando o garrancho rasurado do rascunho em folha branca. Força é recomeçar sempre, meu bem. do zero, que é pra sentir o cheirinho de livro novo da novidade...

mas aí ela ouviu e eu não esperava que ela ouvisse, ouviu lá do fundo da minha consciência que ela conquistou um dia e de onde se recusa a sair, ouviu e fez questão de observar que castelos de areia vão sempre tombar, que o passado é como um disco arranhado, que a espontaneidade só tem uma vida, que a vida vem em ondas como o mar.. que era assim sim, como ela já havia dito tantas vezes no silêncio da minha cabeça, que com o tempo o eterno vazio ocuparia por definitivo o espaço do passado. dito isso, se calou de novo como um peso morto na minha consciência pesada e me deixou preso na teia das minhas próprias paranóias. paranóia e a nóia não para, mas ai eu mesmo paro e durmo e me esqueço dessa minha tentativa frustrada de resolver meus problemas mergulhando num teatro interno de diálogo imaginário, de um só personagem e inúmeras vozes.

Destoa disso tudo o terceiro ato dessa encenação barata onde o cenário toma ares de real e os personagens se fazem independentes e é tudo como um reality show mal-ensaiado, um espetáculo de improvisações e é aí que as máscaras se confundem com os rostos mascarados, e é aí que o drama (era tudo um drama meu bem), vira pura comédia, puta comédia, e é tudo piada, é tudo piada, é tudo teatro. Minha velha mania de auto-sabotagem, mas já nem funciona mais, já não me engano mais, já me enxergo no reflexo translúcido de mim mesmo...





Sexta-feira, Março 11, 2005 (12:56 AM)


E vêm de todos os detalhes coloridos espalhados ao redor do cenário, tipo um arco-íris fora de foco que mudou de tom sem o dom e se esparramou pelo ar, desvairado, desintegrado. Vários punctos que brilham de um álbum sem conta nem feixe como num apelo ao meu apego por inferências cegas, e você quebrando todos os signos da bonança com a sua realidade muda e seus galopes-surpresa de lembranças incensuráveis. A náusea sartreana fazendo sentido como um desvio abrupto da miopia e a percepção mirando de longe o seu dom de iludir. A verdade é pura argumentação, e eu sou todo alegorias...





Segunda-feira, Março 07, 2005 (3:43 AM)


Nada mais pertinente ao começo do que o desespero pelo começo. Veja bem, recomeço também é um começo. Completo estorvo de ocupações diversas já iniciadas e a preocupação é sempre com um novo começo. A primeira impressão é a que fica? Não, não, a memória é uma ilha de edição, já dizia o wally. E o romantismo dizendo que tem que ser tudo de uma vez, e eu querendo segurar o orgasmo... tsc.
pleasure delayer.
mas agora é assim: escrever é preciso, editar não é preciso.
e é isso, reassinei meu contrato com a nike. just do it.











C l e a n.